terça-feira, 4 de julho de 2017

Meu Brasil brasileiro


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Winston Churchill, o longevo 1º Ministro do Reino Unido durante a 2ª Guerra Mundial, certa vez falou que “a democracia é a pior forma de governo, excetuando-se as demais”. Quem sou eu para contradizê-lo, mas tomo a liberdade de fazer algumas reflexões, em especial sobre a democracia à brasileira.

Não vou falar aqui sobre aspectos técnicos da democracia – até porque não seria capaz de trazer qualquer colaboração ao tema, já tão discutido –, mas trago uma visão bastante pessoal da sociedade brasileira, incluindo aí os seus representantes e dirigentes. E faço isso contaminado pelo momento que passa nosso pobre país, tão vítima de nós mesmos.

Bem, a principal característica dessa tal democracia é o poder conferido ao povo de eleger seus representantes, para que em seu nome governem o país. Até aí tudo bem, uma vez que não foi ainda possível retornar a formas antigas de participação popular mais direta. O problema é que em uma sociedade imatura e individualista como a nossa, na qual cada um tem a tendência de pensar somente no bem-estar do próprio umbigo, somente os mais vis, os mais medíocres, os mais mesquinhos, os que estão dispostos a cometer qualquer tipo de baixeza para alcançarem o poder é que conseguem chegar lá. Em suma: a impressão que dá é que somos governados pela escória de nossa gente.

Estou enjoado do Jornal Nacional. Assisto-o eventualmente, e quando o faço é para observar as cenas dantescas de uma novela sem fim, na qual o enredo é o mesmo de sempre: mensalinhos, mensalões e pixulecos. E esse fenômeno não é uma mera consequência de nossa moral torta, de nossos generosos limites éticos, embora faça parte disso. O desonesto não espera ser eleito para depois se aproveitar das benesses do cargo, assim como aquele que instala o gatonet não se tornou desonesto somente quando surgiu a TV a cabo. O comportamento de ambos já é duvidoso antes de assumirem uma cadeira no Parlamento ou de assistirem à HBO. Ambos são ladrões.

Digo isso porque aquilo que testemunhamos diariamente é fruto de padrões comportamentais que são próprios de nosso país. Somos orgulhosos da agilidade de nossas gambiarras, nunca pela tão sonhada capacidade de planejamento. E a cereja do bolo da falta de preparo intelectual é a nossa "moral de cueca" que não permite que alcancemos padrões éticos mínimos que nos permitam viver com um mínimo de civilidade. Em artigo recente, Fernanda Torres cita a mãe, que disse sentir uma mortalha sobre a cidade do Rio de Janeiro, tamanho é o descontrole em todas as parcelas da vida daquela cidade: a polícia não protege, a justiça não julga, o ministério público não denuncia, a família não forma, a escola não educa, a saúde não cura. Mas, apesar de tudo isso, perdemos também a capacidade da catarse. A mortalha parece que nos cobriu a todos.

Voltando ao tema principal, é muito claro que vivemos uma crise de representatividade. A maneira como as nossas instituições estão organizadas já não nos serve, mas ao mesmo tempo não sabemos muito bem o que queremos. Sou partidário de começarmos tudo de novo. Façamos uma revolução, uma guerra, uma nova constituição, invadamos o congresso, demitamos todos os servidores públicos, vendamos o país, “locupletemo-nos todos”, sei lá. O que não dá é para continuarmos assistindo, atônitos e incrédulos, sem fazermos nada. As tais das soluções democráticas não têm solucionado nada. Então criemos novas soluções para problemas antigos.

Mas, sobretudo, temos que entender que aquilo que ocorre nos confortáveis gabinetes governamentais não é diferente daquilo que se passa nas ruas de nosso país. Repito: existe um padrão comportamental comum tanto naquele que batiza a gasolina quanto no que recebe um prêmio cada vez que se reajustam as tarifas de ônibus. O que difere é a magnitude do dano causado.


Sinto-me também anestesiado, “amortalhado”, e talvez essas palavras sejam uma tentativa de não me tornar indiferente. Diante do holocausto moral observado no Brasil, não quero acreditar que a única saída seja o aeroporto internacional mais próximo.

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